Capitulo 5 — O Rei dos Deuses e dos Homens, Senhor do Olimpo, Deus dos Céus, do Raio e do Trovão — Zeus(Ζεύς)
Olimpo, a Saga dos Deuses
Tão logo Rhea(Ῥέα) se afastou, as ninfas viram surgir uma nuvem luminosa e, dentro dela, surgiu a grande imagem de Gaia(Γαῖα), que as acalmou com um gesto. E em seguida ouviram sua voz clara e firme:
— Eu as convoco, Napéias(Ναπαῖαι), ninfas dos vales e das relvas, e a todas as ninfas, Oréadas(Ὀρειάδες), que ocupam as montanhas e as colinas, Dríades(Δρυάδες), rainhas das grandes árvores e Hamadríadas(ἁμαδρυάδες), ninfas dos carvalhos gigantescos. Reúnam-se todas em torno desta divina criança e façam com que cresça em meio à paz, ao amor e à alegria. Sua existência jamais deverá ser conhecida pelos deuses. Ocultem-na do céu e da luz, do sol e da lua, dos mares e das nuvens. O destino dos deuses criados e incriados está em suas mãos, ó ninfas. Sejam sábias e, mais que sábias, sejam protetoras e sejam mães. Do alto, velarei por todos vocês e meu organismo físico lhes dará abrigo.
E, dizendo isto, tomou a criança nos braços, levou-a para o interior de uma gruta e depositou-a sobre um monte de capim macio.
Feito isto, voltou aos céus.
Logo, a criança começou a chorar. As ninfas trataram logo de a embalar e cantaram acalentos, mas nada a fazia calar.
— Acho que tem fome — sugeriu uma delas.
As outras entoalharam-se.
— E como iremos alimentá-lo? De que se alimentam os deuses?
Desoladas, não encontravam uma solução. Com medo de que o choro do bebê fosse ouvido nos céus, chamaram rapidamente os Curetes(Κουρῆτες) e fizeram com que dançassem em volta do berço de capim, brandindo suas lanças e escudos em meio a um grande alvoroço, que logo abafou com seu ruído o pranto convulsivo.
— Escutem todas! — exclamou Adrasteia, uma das ninfas. — Vi uma vez a ninfa-cabra Amaltheia(Ἀμάλθεια) alimentar seus filhos com o leite de suas tetas. Quem sabe se o menino-deus se alimentaria desse leite?
— Que tolice está dizendo! — retrucou Io — A cabra é um animal de corpo físico, uma autêntica habitante do mundo de matéria. Este menino é etéreo, não pertence ao mundo físico. Como poderia se alimentar de leite animal?
Sacudiram a cabeça, desanimadas. De repente, uma ninfa que até então permanecera calada e pensativa, estremeceu e arregalou os olhos.
— Já sei! Acabei de ter uma visão, onde Gaia me ensinou como alimentar a criança. Tragam a ninfa-cabra Amaltheia(Ἀμάλθεια)!
Pouco depois chegava a cabra, peluda e horrenda, com seus enormes chifres retorcidos sobre a cabeça enorme. A vidente ordenhou-a, colheu o leite numa cabaça rachada. Esfregou dois gravetos e fez fogo. As outras recuaram, amedrontadas.
— O que está fazendo? Roubou da carruagem de Hélio?
Mas a ninfa, compenetrada em sua magia, nem respondeu. Aqueceu o leite, recolheu o vapor que dele emanava no bojo de uma flor e levou-o à boca sôfrega do menino. Ele aspirou o vapor esbranquiçado e logo se calou. Fez o mesmo com o mel e Zeus também o tomou.
E, assim, a cabra Amaltheia amamentou, com seu leite animal, o etéreo menino-deus, e as abelhas incansáveis forneceram o mel para o coplemento de sua alimentação.
Zeus cresceu forte e saudável, sempre ao lado de Amaltheia. Já era rapaz quando percebeu, pela primeira vez, que a cabra envelhecia. Correu os dedos pelo corpo áspero da criatura que o aleitara.
E analisou seu próprio corpo, diáfano e rosado. Em seguida, tocou o solo, afastou as pedras e falou consigo mesmo:
— Como seria bom se eu pudesse habitar num corpo físico, compatível com este mundo denso. Seria etéreo e material ao mesmo tempo. Poderia habitar a terra e o céu, saberia como me deliciar com os tesouros do mundo e teria no espírito a sabedoria dos deuses. Mas como conseguir isso?
E por mais que meditasse, não resolveu o problema.
Um dia Amaltheia morreu. Triste, Zeus velou seu corpo e até os Curetes fizeram silêncio. Depois, calado e ensimesmado, retirou a pele grossa da cabra e deixou-a curtir ao sol. Com uma prece, recolheu-se por algum tempo e, em seguida, fez com que Amaltheia subisse aos céus e transformou-a numa constelação de estrelas, sob a forma de Capricornio. De sua pele fez uma túnica e vestiu-a.
Zeus segurou a mão que lhe era estendida e caminhou ao lado de Gaia. Quando chegaram ao monte Ótris, a fortaleza dos titãs, Gaia entregou-lhe uma bebida, dizendo:
— Esta poção mágica foi preparada por minha filha, Méthis. Leve-a com você e faça com que seu perverso pai beba e num instante verá regurgitados todos os seus aprisionados irmãos que foram devorados. Seus irmãos serão seu exército e juntos resgatarão o reino dos céus.
E foi então que Gaia lhe apareceu. Estendeu a mão e tocou em sua cabeça.
— Zeus, chegou o momento de ocupar seu verdadeiro lugar entre os deuses. Esteja preparado para assumir o trono de seu pai. Voltarei em breve para buscá-lo. Até lá, medite e desperte suas forças.
Zeus retirou-se então para o fundo da gruta que lhe servira de berço e meditou. Sentia que, quanto mais voltava sua atenção para seu interior, mais forças trazia para si. E assim ficou até que chegou o momento em que novamente Gaia lhe apareceu.
— Zeus, — disse ela, estendendo-lhe a mão — chegou a hora de agir. Venha comigo e tome o lugar que lhe pertence por direito.
Zeus segurou a mão que lhe era estendida e caminhou ao lado de Gaia. Quando chegaram ao monte Ótris, a fortaleza dos titãs, Gaia entregou-lhe uma bebida, dizendo:
— Esta poção mágica foi preparada por minha filha, Méthis. Leve-a com você e faça com que seu perverso pai beba e num instante verá regurgitados todos os seus aprisionados irmãos que foram devorados. Seus irmãos serão seu exército e juntos resgatarão o reino dos céus.
Quando Rhea viu o filho, logo o reconheceu. Emocionada, abraçou-o com ardor longe das visstas de Chronos.
— Mãe — disse ele — como senti falta do calor de seu seio. Mas agora a tenho comigo e sinto-me gratificado. Seu calor me dará forças para ocupar o lugar que me pertence.
Estendeu-lhe a beberagem feita por Méthis.
— Mãe, ofereça ao rei esta bebida, junto com sua refeição. Depois disto, poderemos conquistar seu trono.
Chronos não percebeu o ardil de que fora vítima, apenas questionou a exposa:
— Que espécie de néctar é este, que tem o brilho de todas as cores e se perfuma de todos os odores? — perguntou Chronos arregalando o olho para dentro da taça.
Rhea respondeu desviando ao mesmo tempo o olhar da carranca severa do marido:
— Um néctar como nunca experimentou igual!
Chronos, após infinitos vacilos, tomou a bebida em uma taça de ouro. A princípio estalou os beiços, achando maravilhosa a poção. Durou pouco, entretanto, o prazer, pois logo em seguida o velho começou a passar muito mal.
— Mas o que é isto? — exclamou Chronos, fazendo-se todo branco. — Sinto náuseas fortíssimas!
Dali a instantes Chronos começou a regurgitar. Primeiramente O velho titã vomita a pedra que Rhea tinha lhe dado no lugar de Zeus e em seguida regurgita todos os seus cinco filhos, de seu corpo saíram um a um os filhos que havia devorado. Pobre deus! Iluminados por raios de luz e, contrariando todas as leis do Tempo, como já fazia muito tempo que os engolira, agora se via obrigado a restituí-los completamente adultos. A incrédula Rhea, que estava junto do esposo, ia recebendo cada um dos filhos com a face lavada em pranto:
— Oh, Hera(Ἥρα), querida... Héstia(Ἑστία), amada... Adorada Deméter(Δήμητρα),... Poseidon(Ποσειδῶν), meu anjo! Hades(Άδης),, meu amor...
Com o retorno de seus irmãos, Zeus havia dado o primeiro e irredutível passo para retirar o poder supremo do mundo das mãos de seu pérfido pai. Aguardaram Chronos recobrar a consciência. Atônito, o senhor dos titãs quase não conseguiu compreender as palavras de Zeus:
— Exijo, que me ceda agora o cetro do mundo! — Exclamou Zeus, com altivez e confiança.
— Como ousa levantar mão ímpia contra mim, o soberano do mundo? — exclamou Chronos, repetindo ao filho algo que lhe soava estranhamente familiar. — Quem é você, insolente? Por muito pouco me fiz amigo de sua raça, mas agora pagará caro por tamanha afronta!
Os filhos de Chronos se reuniram e fizeram de Zeus seu líder, pois agora era o mais velho. A frente dos demais ele proclamou:
— Sou Zeus, o mais novo dos seus filhos, e você não conseguiu me devorar! Fui há muito tempo substituído por uma pedra, e de pedra se tornará meu coração se não renunciar!
Chronos arregalou os olhos. No momento em que percebeu que havia sido enganado, era tarde demais.
— Mas isto é o fim dos tempos! — acrescentou Chronos, criando uma frase que as gerações futuras repetiriam sempre que uma civilização entrasse em decadência. — Como se atreve?! Conspiram contra mim!
Chronos, então, com fúria no coração, partiu para cima de Zeus, quando surgiram ao seu lado seus irmãos Poseidon(Ποσειδῶν) e Hades(Άδης), que instantaneamente se posicionaram para protegê-lo. Chronos, então, invocou o auxílio de seus poderosos irmãos, Hiperíon(Ὑπερίων), Jápetos(Ἰαπετός), Céos(Κοῖος) e Crios(Κρεῖος), que prontamente surgiram ao seu lado. A luta se iniciara e parecia não ter fim, uma batalha que durou dez anos. Titãs e Gigantes reunidos junto a Chronos. A guerra arrastava-se sem vencdores nem vencidos, os céus enfraquciam-se com isso e o mundo também sofria os seus efeitos destruidores. Até que Gaia procurou zeus e falou:
— Vá ao tártaro e liberte os Hecatonquiros e os Cíclopess. Eles o auxiliarão nesta luta.
Não podendo enfrentar os Titãs de mãos vazias, já que eram demasiadamente poderosos, Zeus, então, abandonou os céus e mergulhou nas trevas. Lá andou por algum tempo, até que chegou a uma região úmida, silenciosa , envolta em uma espessa neblina, onde encontrou os Cíclopes. De longe, ficou a observá-los. Viu que usavam imensas bigornas, para forjarem relâmpagos gigantescos. Zeus aproximou-se e pediu-lhes auxilio.
A atividade dos Cíclopes nas bigoras, aumentou e logoZeus armou-se com uma quantidade infinita de relâmpagos. Encontrou também os Hecatônquiros e sairam todos do Tártaro.
Chronos, feliz, já se julgava vitorioso, quando uma fenda enorme rasgou-se sob o chão; imediatamente um vapor negro subiu da cratera num jato hediondo, até envolver o próprio Sol. Tudo estava envolto em trevas sufocantes, quando todos sentiram um baque formidável sacudir o solo. Um tufão poderoso surgiu em seguida, varrendo toda a fuligem espessa e deixando à mostra, sobre a superfície, os três Hecatônquiros, postados lado a lado. Horrorizado, Chronos testemunhou que Zeus voltava com um exército monstruoso, que se tratavam de seres "enormes como a mais alta das montanhas" e que possuíam "cem braços e cinqüenta cabeças" . As nuvens cobriam so sol e os relâmpagos de Zeus cortavm o céu em todas as direções. A terra tremeu, incendios destruiram florestas,a agua do mar ferveu. Um terrível brado de guerraecoou pelos ares negros de densa fumaça e os rochedos arrancados dos montes caíam sobre os campos de batalha.
Seus urros de ódio encheram de pavor a Terra, e os próprios Titãs tremeram ao ouvi-los. Pareciam terremotos a sacudir os alicerces que sustentavam o firmamento, que ameaçavam ruir. O urro colossal, partido de cento e cinqüenta bocas, atroou todo o Universo.
Os Titãs defenderam-se com tanto entusiasmo que a Terra estremeceu e se abriu deixando à mostra o mundo subterrâneo de Tártaros. A destruição, porém, atingiu o máximo quando os Titãs e os deuses lutaram face a face. O fortíssimo terremoto provocou uma terrível devastação, as montanhas afundaram-se no mar, o mar cobriu as terras e os raios de Zeus partiram os rochedos aos pedaços.
O fogo queimava tão alto que suas línguas lambiam o Céu. A pavorosa batalha deu a impressão de que toda a Terra estava sendo tragada para as profundezas de Tártaros, e de que o Céu ameaçava despencar, fazendo ruir seus alicerces. Um terrível brado de guerra ecoou pelos ares negros de densa fumaça e os rochedos arrancados dos montes caíam sobre os campos de batalha.
A luta mortal entre os dois exércitos durava nove anos. E, no décimo ano, a força dos Titãs diminuiu, iniciando assim a implacável perseguição nas terras e nos mares. Exaustos, sem defesa, na tentativa de escapar à horda inimiga, os Titãs fugiram. Os deuses, porém, levando a destruição da guerra, perseguiram-nos até os últimos limites do Oceano ou os pontos mais escondidos da Terra.
Por fim, os Titãs voltaram para seu território. E aí conheceram a derrota. Em um confronto final, como um furação destruidor, os deuses atiraram-se contra os inimigos. Desesperados, os Titãs tentaram defender-se na baía. A Terra e o Céu se encontraram, o fogo e a água participaram da luta, ficou tão forte a escuridão que não se sabia a diferença entre o Dia e a Noite.
Como se o Caos e a destruição ainda não bastassem, os temíveis Hecatônquiros armaram-se com trezentas pedras enormes e atiraram-nas de uma só vez sobre os Titãs. O mundo jamais foi sacudido por terremoto tão violento. Depois, ao cessar o terremoto, um estranho silêncio tomou conta de tudo...
Havia terminado a batalha. Os Titãs tinham sido derrotados. Chronos sentiu-se iludido por sua mãe, Gaia, que a todos controlava, e então foi vencido pela força de Zeus e seus irmãos através de um estratagema elaborado nas profundezas do Tártaro.
Com uso das três armas fornecidas pelos Cíclopes: Hades, invisível com seu elmo, entrou nos aposentos de Chronos e roubou para si a foice diamantina de seu pai. Então Poseidon surgiu ameaçando o senhor dos Titãs com o tridente. Distraído por esta ameaça e sem armas para combater, Chronos não percebeu a presença de Zeus, que lançou o raio e jogou-o ao chão.
Desnorteados com a perda de seu líder em uma tentativa desesperada os titãs tentaram escalar o monte Olimpo. Em mais um ataque, Zeus no topo joga um raio mortal nos titãs, nesse momento todo o planeta treme. Ao mesmo tempo os Hecatônquiros foram arrancando pedras da montanha e iam jogando a saraivada nos titãs remanescentes.
Sem conseguir resistir ao ataque, os Titãs estavam derrotados, no entanto para Zeus isso não era suficiente e apesar das súplicas de Gaia por clemencia ante aos seus irmãos vencidos, por fim, ele ordenou:
— Serão torturados por toda eternidade, e aqueles dos quais temeram serão os seus carcereiros.
Acorrentados os Titãs pelos terríveis Ciclopes com pesadíssimas cadeias, Chronos e seus irmãos foram atirados pelos Deuses nas profundezas do Tártaro, de onde jamais tornariam a sair. Depois, fecharam a horrível prisão com fortes portas de ferro e ali deixaram como vigilantes os próprios Hecatônquiros. Os Gigantes foram destruídos em combate, com exceção de Atlas e Menécio, filhos de Jápeto e Climene. Menécio foi atirado ao Tártaro. Viu-se, então, o velho Crono despido de seus poderes. Sombrio, vagando prisioneiro, na estranha escuridão do Tártaro malfadado, com seus irmãos Titãs, onde passaram a viver horrores desconhecidos dos homens. Nesse lugar, sonhando em novamente ver a luz do Sol, os Titãs haveriam de permanecer prisioneiros para sempre. Esta atitude, no entanto, deixou a "mãe-terra" extremamente ressentida.
Então, Zeus resolveu recompensar Estige, que muito contribuiu para a vitória dos deuses, especialmente para a vitória final. Zeus concedeu que ela fosse a garantia dos juramentos solenes pronunciados pelos deuses. Deu-se também o nome de Estige a uma fonte da terra dos pelasgos, a qual nascia num alto rochedo e perdia-se nas entranhas da Terra.
Suas águas tinham propriedades mágicas: eram um veneno mortal para homens e animais; corroíam e destruíam tudo que nelas fosse lançado. E essa fonte daria origem às águas infernais do Estige. Quando um dos Imortais quisesse se ligar por um juramento solene, Zeus enviaria ao Hades a mensageira Íris, que traria uma porção de água fatídica para que servisse de testemunha ao juramento.
O perjúrio, segundo as ordens de Zeus, seria considerado como falta muito grave e séria, e a punição seria terrível: durante um ano o deus criminoso seria privado de sopro, de ar, de espírito e lhe seriam negados o néctar e a ambrosia. E não seria só: nos nove anos subsequentes o culpado permaneceria afastado do convívio dos Imortais e não poderia participar de suas assembleias e banquetes. Só haveria de se reintegrar na posse de suas prerrogativas no décimo ano.
Átlas, comandante do exército derrotado do rei Cronos, foi condenado pelo então formado Conselho Olímpico a suportar em suas costas o Céu, que ameaçava desabar sobre a Terra. Então, Átlas substituiu um dos alicerces em ruínas, posicionando-se em cima da mais alta montanha da África. E uma cadeia de montanhas passou a vigiá-lo noite e dia, para todo o sempre.
Seus urros de ódio encheram de pavor a Terra, e os próprios Titãs tremeram ao ouvi-los. Pareciam terremotos a sacudir os alicerces que sustentavam o firmamento, que ameaçavam ruir. O urro colossal, partido de cento e cinqüenta bocas, atroou todo o Universo.
Os Titãs defenderam-se com tanto entusiasmo que a Terra estremeceu e se abriu deixando à mostra o mundo subterrâneo de Tártaros. A destruição, porém, atingiu o máximo quando os Titãs e os deuses lutaram face a face. O fortíssimo terremoto provocou uma terrível devastação, as montanhas afundaram-se no mar, o mar cobriu as terras e os raios de Zeus partiram os rochedos aos pedaços.
O fogo queimava tão alto que suas línguas lambiam o Céu. A pavorosa batalha deu a impressão de que toda a Terra estava sendo tragada para as profundezas de Tártaros, e de que o Céu ameaçava despencar, fazendo ruir seus alicerces. Um terrível brado de guerra ecoou pelos ares negros de densa fumaça e os rochedos arrancados dos montes caíam sobre os campos de batalha.
A luta mortal entre os dois exércitos durava nove anos. E, no décimo ano, a força dos Titãs diminuiu, iniciando assim a implacável perseguição nas terras e nos mares. Exaustos, sem defesa, na tentativa de escapar à horda inimiga, os Titãs fugiram. Os deuses, porém, levando a destruição da guerra, perseguiram-nos até os últimos limites do Oceano ou os pontos mais escondidos da Terra.
Por fim, os Titãs voltaram para seu território. E aí conheceram a derrota. Em um confronto final, como um furação destruidor, os deuses atiraram-se contra os inimigos. Desesperados, os Titãs tentaram defender-se na baía. A Terra e o Céu se encontraram, o fogo e a água participaram da luta, ficou tão forte a escuridão que não se sabia a diferença entre o Dia e a Noite.
Como se o Caos e a destruição ainda não bastassem, os temíveis Hecatônquiros armaram-se com trezentas pedras enormes e atiraram-nas de uma só vez sobre os Titãs. O mundo jamais foi sacudido por terremoto tão violento. Depois, ao cessar o terremoto, um estranho silêncio tomou conta de tudo...
Havia terminado a batalha. Os Titãs tinham sido derrotados. Chronos sentiu-se iludido por sua mãe, Gaia, que a todos controlava, e então foi vencido pela força de Zeus e seus irmãos através de um estratagema elaborado nas profundezas do Tártaro.
Com uso das três armas fornecidas pelos Cíclopes: Hades, invisível com seu elmo, entrou nos aposentos de Chronos e roubou para si a foice diamantina de seu pai. Então Poseidon surgiu ameaçando o senhor dos Titãs com o tridente. Distraído por esta ameaça e sem armas para combater, Chronos não percebeu a presença de Zeus, que lançou o raio e jogou-o ao chão.
Desnorteados com a perda de seu líder em uma tentativa desesperada os titãs tentaram escalar o monte Olimpo. Em mais um ataque, Zeus no topo joga um raio mortal nos titãs, nesse momento todo o planeta treme. Ao mesmo tempo os Hecatônquiros foram arrancando pedras da montanha e iam jogando a saraivada nos titãs remanescentes.
Sem conseguir resistir ao ataque, os Titãs estavam derrotados, no entanto para Zeus isso não era suficiente e apesar das súplicas de Gaia por clemencia ante aos seus irmãos vencidos, por fim, ele ordenou:
— Serão torturados por toda eternidade, e aqueles dos quais temeram serão os seus carcereiros.
Acorrentados os Titãs pelos terríveis Ciclopes com pesadíssimas cadeias, Chronos e seus irmãos foram atirados pelos Deuses nas profundezas do Tártaro, de onde jamais tornariam a sair. Depois, fecharam a horrível prisão com fortes portas de ferro e ali deixaram como vigilantes os próprios Hecatônquiros. Os Gigantes foram destruídos em combate, com exceção de Atlas e Menécio, filhos de Jápeto e Climene. Menécio foi atirado ao Tártaro. Viu-se, então, o velho Crono despido de seus poderes. Sombrio, vagando prisioneiro, na estranha escuridão do Tártaro malfadado, com seus irmãos Titãs, onde passaram a viver horrores desconhecidos dos homens. Nesse lugar, sonhando em novamente ver a luz do Sol, os Titãs haveriam de permanecer prisioneiros para sempre. Esta atitude, no entanto, deixou a "mãe-terra" extremamente ressentida.
Então, Zeus resolveu recompensar Estige, que muito contribuiu para a vitória dos deuses, especialmente para a vitória final. Zeus concedeu que ela fosse a garantia dos juramentos solenes pronunciados pelos deuses. Deu-se também o nome de Estige a uma fonte da terra dos pelasgos, a qual nascia num alto rochedo e perdia-se nas entranhas da Terra.
Suas águas tinham propriedades mágicas: eram um veneno mortal para homens e animais; corroíam e destruíam tudo que nelas fosse lançado. E essa fonte daria origem às águas infernais do Estige. Quando um dos Imortais quisesse se ligar por um juramento solene, Zeus enviaria ao Hades a mensageira Íris, que traria uma porção de água fatídica para que servisse de testemunha ao juramento.
O perjúrio, segundo as ordens de Zeus, seria considerado como falta muito grave e séria, e a punição seria terrível: durante um ano o deus criminoso seria privado de sopro, de ar, de espírito e lhe seriam negados o néctar e a ambrosia. E não seria só: nos nove anos subsequentes o culpado permaneceria afastado do convívio dos Imortais e não poderia participar de suas assembleias e banquetes. Só haveria de se reintegrar na posse de suas prerrogativas no décimo ano.
Átlas, comandante do exército derrotado do rei Cronos, foi condenado pelo então formado Conselho Olímpico a suportar em suas costas o Céu, que ameaçava desabar sobre a Terra. Então, Átlas substituiu um dos alicerces em ruínas, posicionando-se em cima da mais alta montanha da África. E uma cadeia de montanhas passou a vigiá-lo noite e dia, para todo o sempre.
Findada estava a primeira batalha que o Universo conheceu, e da qual saiu vitorioso Zeus, o novo soberano do Universo, para reinar como pai dos deuses sobre todos os homens e as demais divindades. O próprio deus instalou em Delfos a pedra que Crono havia vomitado. Ela ainda está lá, constantemente ungida com óleo, sobre a qual fibras de lã crua são deixadas como oferenda.
Zeus reuniu todos os deuses e , em frente a eles, recebeu dos Cíclopes o trovão e o raio divino. Em seguida proclamou:
— Irmãos — disse Zeus, estendendo o braço e apontando os raios para o alto. — Neste momento, assumo o reino dos céus. A meu irmão, Poseidon, entrego o domínio dos mares e a meu outro irmão, Hades, confio o reino do Mundo Inferior. Sejam justos!
Os raios se acenderam e os trovões ribombaram, estremecendo o céu e a terra. Os relâmpagos retorceram-se no espaço e envolveram os deuses numa aura de luz intensa, transferindo para eles toda a força da natureza. Zeus caminhou, lentamente, em direção ao mundo físico de Gaia e apontou para ele.
— Vejam, irmãos, naquele mundo nasci e cresci e a ele sou extremamente grato. Nele fixarei nosso reinado, e aqui, no alto deste monte que se esconde nas brumas do amanhecer. Olimpo! Será nossa eterna morada!
A vitoria de Zeus e de seus irmãos marcou o alvorecer de um novo tempo — A era dos Olímpicos.







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