Capítulo 53 — Os dons proféticos — Anfiarau(Ἀμφιάραος)

   

Capítulo 53 — Os dons proféticos — Anfiarau(Ἀμφιάραος)

Olimpo, a Saga dos Deuses 

Anfiarau(Ἀμφιάραος). Por Emmanuel Mourão.


Do casamento de Melampo(Μελάμπους) e Ifianassa(Ἰφιάνασσα), nasceu Anfiarau(Ἀμφιάραος). Uma vez, quando criança, perdeu-se na floresta. Distraído com os pássaros e pequenos animais, embrenhou-se cada vez mais nas matas e, quando quis voltar, não achou o caminho. A noite chegou, cheia de escuridão e de ruídos misteriosos. Chorando, com as pernas feridas pelos espinhos, Anfiarau tateava no negro à sua volta, sem saber o que fazer para retornar à sua casa. Tanto gritou que atraiu a atenção de Zeus(Ζεύς) e Apolo(Ἀπόλλων). Os deuses se aproximaram, curiosos e, ao verem o menino imundo, inundado de lágrimas, o nariz escorrendo, acharam graça.



— Ora, ora, — disse Zeus — por que chora tanto assim?


Anfiarau fungou.


— Não sei voltar para minha casa! Estou perdido!


Zeus deu uma risada.


— Tanto barulho por tão pouco. Venha cá, menino!


O garoto chegou mais perto, desconfiado.


— Apolo — disse Zeus — coloque sua mão direita sobre a cabeça dele.


Apolo, divertido com tudo aquilo, aproximou-se e espalmou a mão sobre os cabelos lisos da criança. Zeus uniu seus três primeiros dedos da mão direita e tocou com eles o centro da testa de Anfiarau.


— Deste momento em diante — disse Zeus — sua mente se abrirá para o desconhecido e saberá tudo o que todos desconhecem.


Riscos azulados de luz chisparam e correram das mãos dos deuses através da cabeça do menino que deu um grito e desmaiou. Quando acordou descobriu, cheio de espanto, que sabia o caminho de volta. E logo todos souberam que ele se tornara um adivinho.


Anfiarau e Talao(Ταλαός) cresceram e substituíram seus pais, Melampo e Bias(Βίας), no trono de suas cidades, mas a sede de poder muito cedo anuviou suas mentes. As lutas começaram e se estenderam por anos e anos. Em meio a uma das muitas batalhas, Anfiarau matou Talao, que deixou três filhos, Adrasto(Δαναός), Erifila(Ἐριφύλη) e Mecisteu(Μηκιστεύς).


Anfiarau logo se arrependeu de ter assassinado o próprio primo, mas Adrasto jamais o perdoou.


— Como posso aceitar o perdão de Anfiarau, sabendo que matou nosso pai? — gritava ele para os irmãos, sempre que recebia, pelos mensageiros, os pedidos de perdão de Anfiarau.


Mas um dia, quando anunciaram a chegada de um novo mensageiro, um brilho estranho acendeu seus olhos. Acenou para o criado.


— Faça-o entrar! E chame minha irmã, Erifila.


Erifila chegou, com uma interrogação no semblante bonito.


— Sente-se — disse Adrasto, apontando para o banco de madeira trabalhada — e escute a proposta de paz que enviarei pelo mensageiro de Anfiarau.


Pouco depois, o mensageiro partia com a seguinte resposta: Adrasto aceitaria o pedido de perdão se Anfiarau tomasse a mão de Erifila em casamento, concordando que ela fosse sempre o árbitro de qualquer questão que surgisse entre os dois.


— Você está louco! — berrou Erifila, logo que o mensageiro deixou a sala. — Como poderia me casar com Anfiarau? O homem que matou meu pai!


— Não seja tola! — protestou Adrasto — Faça o que digo e não discuta! Não vê que esse é um meio de vingança?


Algum tempo depois, Anfiarau se casou com Erifila. Desta união, nasceram Alcmeón e Anfíloco.


                                                                                


Tudo era paz, no castelo de Adrasto. A noite morna convidou ao sono, logo depois que Hélios(Ἥλιος) recolheu sua carruagem de fogo nas estrebaras sombrias. O calor trouxe a tempestade e os relâmpagos riscaram os céus, fazendo espocar ressonantes trovões.


O estalar de um raio acordou Adrasto e se misturou a batidas insistentes na porta de seu quarto.


Um criado, todo molhado de chuva, gesticulou, nervoso, logo que Adrasto escancarou a pesada porta.


— Senhor, dois forasteiros estão se matando num duelo, à entrada do palácio! Fizemos tudo para separá-los, mas são muito fortes e estão armados!


Mas, quando Adrasto desceu, seus homens já haviam conseguido separar os furiosos visitantes. Um deles se soltou das mãos que o seguravam e deu um passo à frente.


— Sou Polinice(Πολυνείκης), filho de Édipo e Jocasta, e venho pedir seu auxílio para reconquistar o trono de Tebas, usurpado por meu irmão Etéocles. Peço perdão por causar tantos transtornos, mas este cavalheiro pretendeu impedir minha entrada no castelo!


O olhar de Adrasto pousou no outro e uma ruga vincou sua testa.


— E você, quem é e o que faz aqui?


O jovem empurrou os criados que teimavam em prender seus braços e exclamou:


— Sou Tideu, filho de Eneu, rei da Caledônia! Venho em busca de asilo!



                                                                                


Sendo abençoado pelos Deuses Gregos







                                                                                


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