Preto(Προῖτος) respirou, aliviado, quando Melampo(Μελάμπους) aceitou o caso de suas filhas e nem discutiu o preço exigido: um terço do reino para ele e outro terço para seu irmão, Bias(Βίας).
Com o auxílio do povo, Melampo partiu para as montanhas, cercou as moças e tocou-as para o palácio. Mas somente duas delas lá chegaram, Ifianassa(Ἰφιάνασσα) e Lisípe(Λυσίππη). A mais nova, Ifinoé(Ἰφινόη), que sempre fora fraca e doentia, morreu de cansaço.
Melampo se trancou com as duas prétidas num santuário, acendeu o fogo e as ervas aromáticas. Arrancou-lhes as vestes dos corpos magros e banhou-as com a água que magnetizara com a forte energia de suas mãos. Depois acendeu uma tocha no fogo sagrado e, recitando preces mágicas, fez com a tocha movimentos rápidos em torno das moças, purificando suas auras. Em seguida, envolveu-as com a fumaça das ervas e estendeu sobre suas cabeças as mãos poderosas.
— Afastem-se delas, espíritos imundos, eu ordeno! Deixem seus corpos e voltem ao mundo das trevas, de onde vieram!
As moças tremiam e seus olhos muito abertos rolavam nas órbitas, sem controle.
— Deixem estes corpos que agora purifiquei, porque aí não é o seu lugar, espíritos da escuridão! Retornem ao local de onde vieram e libertem para sempre estas moças. Eu ordeno, em nome de Zeus(Ζεύς), o todo-poderoso senhor do Olimpo, em nome de Poseidon(Ποσειδῶν), o todo-poderoso senhor dos mares e em nome de Plutão(Πλούτων), o todo-poderoso senhor do Hades(Άδης)!
Uma espuma grossa brotou dos lábios lívidos das prétidas e um rugido pavoroso saiu de suas gargantas.
— Vamos, saiam, em nome da luz!
E Melampo brandiu a tocha, fazendo com ela sinais mágicos no ar.
Um tremor violento sacudiu as moças e um grito medonho explodiu de suas bocas emplastradas por uma baba viscosa. E elas caíram ao solo, desmaiadas.
Um cheiro de carne podre encheu o local e foi logo substituído por um odor de queimado, à medida que Melampo sacudiu a tocha por todos os cantos da sala. E quando, afinal, o cheiro desapareceu totalmente, uma brisa fresca roçou em sua pele e as moças abriram os olhos. Estavam curadas.
…
Preto chorou de emoção ao ver as filhas cambaleantes, fracas e meio desfalecidas, mas livres da maldição de Hera(Ἥρα). Estendeu a mão para Melampo.
— Minha palavra será cumprida e dois terços de meu reino é pouco para pagar o benefício que fez às minhas filhas. Ofereço, portanto, a mão das princesas em casamento a você e a seu irmão, Bias, que virá reinar também na Argólida.
Melampo sorriu.
— É com imensa honra que aceito a mão de uma das princesas em casamento. Mas Bias, meu irmão, casou-se recentemente com Pero(Πηρώ), filha do rei de Pilos, na Messênia.
Mas, pouco depois, chegou a triste notícia: Pero morrera de parto.
Desesperado com a morte da esposa a quem tanto amava, Bias veio para a Argólida, trazendo consigo o pequenino Talao(Ταλαός), filho de Pero.
Melampo se casou com Ifianassa e Bias, sentindo-se só e incapaz de cuidar sozinho do bebê, uniu-se a Lisípe.
…
| As filhas de Preto em desespero. Por Emmanuel Mourão. |
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