Capítulo 48 — Rivalidade extrema — Acrísio(Ἀκρίσιος) e Preto(Προῖτος)

Capítulo 48 — Rivalidade extrema — Acrísio(Ἀκρίσιος) e Preto(Προῖτος)

Olimpo, a Saga dos Deuses 


Acrísio(Ἀκρίσιος) e Preto(Προῖτος). Por Emmanuel Mourão.



Linceu(Λυγκεύς) ocupou o trono da Argólida. Com Hipermnestra(Ὑπερμνήστρα), foi pai de Abas(Ἄβας), que se casou com Aglaia(Ἀγλαΐα). Desta união nasceram os gêmeos Acrísio(Ἀκρίσιος) e Preto(Προῖτος). Neles o ódio dos bisavós voltou a se manifestar. Aglaia dizia sempre que sentia os gêmeos brigarem, quando ainda em seu ventre.


Em criança, brigavam por qualquer brinquedo, por qualquer motivo. Cresceram e lutaram pelo trono da Argólida. Acrísio, cercado de excelentes soldados, protegidos por escudos redondos inventados pelos ferreiros do reino, logo venceu a luta e expulsou Preto, que fugiu para a Lícia, onde se casou com Estenébia(Στενεμπία), a filha do rei.



Mas Preto não se conformou com a derrota. Preparou-se, armou-se, cercou-se de soldados mercenários e voltou ao ataque. Ocupou a cidade de Tirinto, na Argólida, e conseguiu o auxílio dos Cíclopes(Κύκλωπες), que rapidamente cercaram a cidade com altas e intransponíveis muralhas. Desta maneira, a Argólida ficou dividida em dois reinos. Acrísio ocupou o trono de Argos e Preto ficou com o reino de Tirinto.


Estenébia deu a Preto três filhas, Ifianassa(Ιφιάνασσα), Ifínoe(Ἰφινόη) e Lisipe(Λυσίππη). As prétidas, como eram chamadas pelo povo de Tirinto, logo se revelaram jovens de extrema beleza. Preto zelava por elas, com cuidado.


— Nossas filhas são muito lindas — dizia Estenébia a Preto, cheia de orgulho. — Precisamos cuidar delas, para que não nos deem os mesmos problemas que seu irmão Acrísio está tendo com a filha, Dânae(Δανάη).


— Acrísio merece sofrer todos os problemas do mundo! — respondia Preto, indignado — Os deuses sabem muito bem a quem castigar!


As prétidas logo se tornaram vaidosas de sua beleza e começaram a se vangloriar e a comparar seus encantos aos de Hera(Ἥρα). E, como Preto costumava dizer, os deuses sabiam muito bem a quem castigar...


Do Olimpo, Hera viu as moças e escutou quando disseram:


— Nem Hera, esposa de Zeus(Ζεύς), tem mais encantos e formosura do que nós, que fomos abençoadas pelos deuses!


Apontou o dedo vingador na direção de Tirinto e as moças enlouqueceram. Ante os olhos atônitos dos pais e do povo, as prétidas começaram a mugir desoladamente, julgando serem vacas, e fugiram em direção ao Peloponeso. Não houve preces e nem magia que libertasse as moças da maldição imposta por Hera.


Estenébia, grávida e exausta de correr atrás das filhas, enfraqueceu-se e não pôde mais deixar o leito, até o nascimento de mais um filho, Megapentes(Μεγαπένθης ), o Grande Desgosto.


Depois do parto, as forças voltaram, aos poucos, mas o leite secou. Um dia, vendo o filho sugar avidamente o seio da ama, Estenébia suspirou:


— Outro filho, que um dia crescerá e me trará mais desgostos ainda.


A ama pousou na rainha um olhar cansado.


— Não fale assim, minha rainha. O menino certamente lhe trará alegrias.


— Como posso acreditar nisto? Veja minhas filhas, loucas, correndo sem sossego e mugindo como vacas. O que posso esperar deste filho? Certamente está também sob a maldição de Hera.


A ama não respondeu. Aconchegou melhor a criança no colo farto e ficou calada, perdida em seus pensamentos. De repente, seus olhos se iluminaram.


— Rainha! Como não pensei nisto antes! Acho que sei de alguém que pode curar suas filhas!


— Fale, criatura! — exclamou Estenébia — Quem pode ter o poder de retirar a maldição da deusa de minhas pobres filhas?


A ama estufou o peito e confidenciou:


— Estão falando que na Messênia existe um homem que, além de médico, é sacerdote e purificador. O nome dele é Melampo(Μελάμπους).


                                                                                

O embate dos reis.Acrísio(Ἀκρίσιος) e Preto(Προῖτος). Por Emmanuel Mourão.


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