Capítulo 40 — O Fundador dos Jogos Olímpicos — Pélops(Πέλοψ)

 

Capítulo 40 — O Fundador dos Jogos Olímpicos — Pélops(Πέλοψ)

Olimpo, a Saga dos Deuses 


Pélops(Πέλοψ). Por Emmanuel Mourão,



Tântalos(Τάνταλος), filho de Zeus(Ζεύς) e da oceânide Plutó(Πλουτώ), reinava na Lídia. Rico e querido pelos deuses, era sempre admitido em seus festins, onde recolhia informações para levá-las aos mortais.

Desposou a plêiade Dione(Διώνη) e foi pai de Pélops(Πέλοψ) e Níobe(Νιόβη). Sempre disposto a revelar aos homens os segredos divinos, Tântalos roubou o néctar e a ambrosia e ofereceu-os aos mortais. Finalmente, tentando experimentar o poder divinatório dos deuses, despedaçou seu filho Pélops e serviu-o num jantar, no Olimpo.



Os deuses reconheceram imediatamente o prato que lhes era servido, menos Deméter(Δήμητρα), que com saudades da filha que voltara ao Hades(Άδης), comeu uma espádua de Pélops. Mas os deuses o reconstituíram e devolveram-lhe a vida.

Tântalos foi atirado ao Tártaro(Τάρταρος), condenado ao suplício da fome e da sede. Mergulhado em água fresca, não conseguia beber, pois todas as vezes em que se curvava, o líquido fugia de seus dedos. Curvadas sobre sua cabeça, as árvores ofereciam-lhe frutos saborosos, mas os ramos se erguiam subitamente, sempre que ele erguia as mãos para colher os frutos. E Tântalo, desesperado de sede e de fome, bradava aos céus:

— Sei que os mortais, que sempre foram meus amigos, irão repartir comigo meu sofrimento. Seus desejos serão sempre inconditos e insaciáveis e quanto mais avançarem em direção ao objeto de seu desejo, mais ele se afastará, obrigando-os a buscar sempre e sempre aquilo que está ao alcance de suas mãos.

Pélops, depois que os deuses o reconstituíram, foi levado por Poseidon(Ποσειδῶν) ao Olimpo, onde ficou, até o dia em que cobiçou o trono da Élida, em poder do rei Enómao(Οἰνόμαος). Desceu do Olimpo e, com o auxílio de Poseidon, aproximou-se de Hipodâmia(Ιπποδάμεια), filha de Enómao, que logo se apaixonou por ele. Quis pedi-la em casamento, mas a moça o advertiu:

— Não faça isso, Pélops. Meu pai não irá ceder minha mão a nenhum pretendente. Cuida de mim com tanto zelo, que às vezes penso que tem ciúmes.

— Ciúmes? — exclamou Pélops, intrigado — Mas ele é seu pai!

Hipodâmia corou.

— Tenho motivos para pensar assim, apesar de um dia ele ter me contado que o oráculo lhe disse que, se eu me casasse, meu marido o mataria e, por isso, não deixava que nenhum pretendente me cortejasse. Como toda a corte espera que eu dê um herdeiro ao trono, ele instituiu a corrida de carros, onde ficou combinado que aquele que ultrapassasse a corrida, receberia minha mão em casamento. Até hoje, porém, ninguém conseguiu vencê-lo, pois seus cavalos são divinos e, antes da corrida, ele sacrifica um carneiro a Zeus, que o protege. E, quando meu pai ultrapassa seu competidor, mata-o implacavelmente. Até hoje, doze pretendentes já foram mortos.

— Há de existir um meio de vencer a corrida… — sussurrou Pélops.

E pensou, pensou, até que a solução do problema surgiu com a figura de Mírtilo, filho de Hermes, que exercia a função de cocheiro real. Sem muita relutância, deixou-se corromper por Hipodâmia.

Pélops pediu a moça em casamento, foi desafiado para a inevitável corrida e, no dia combinado, Mírtilo serrou o eixo do carro de Enómao e, quando o carro real alcançou velocidade, partiu-se o tirante, o veículo tombou e o rei foi lançado ao solo, morrendo imediatamente.

Para que Mírtilo não falasse a ninguém sobre a traição, Pélops atirou-o ao mar. Mergulhando nas águas revoltas, o cocheiro amaldiçoou Pélops e toda a sua descendência.

Depois de sua morte, Hermes, seu pai, o transformou em constelação.
 


    
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O anúncio dos Jogos Olímpicos de Pélops(Πέλοψ). Por Emmanuel Mourão.



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