Capítulo 32 — A "Madrinha" do Continente — Europa(Ευρώπη)
Olimpo, a Saga dos Deuses
Sêmele(Σεμέλη) suspirou, depois de relembrar o amor e o sofrimento de sua trisavó, a sacerdotisa Io(Ἰώ).
— Será que foi verdade mesmo? — pensou ela — Às vezes acho que são só lendas. Se nunca vi um deus, como posso acreditar que eles se aproximam de nós, como simples mortais?
Mas algo em seu íntimo fez com que se calasse. E veio de novo aquela impressão forte de que aquele dia seria muito importante em sua vida. Sacudiu a cabeça para afastar os pensamentos.
— Acho que fiquei muito impressionada com as histórias que papai me contava. Deuses, monstros, ninfas, Curetes... Papai contou uma vez que Hera(Ἥρα) encarregou os Curetes(Κουρῆτες) de matarem Épafos(Ἔπᾰφος), o filho de Io(Ἰώ) e Zeus(Ζεύς), mas eles o esconderam muito bem e ninguém pode encontrá-lo. Será mesmo?
Cadmos(Κάδμος), o pai de Sêmele, criara os filhos em meio a uma atmosfera mística. Segundo ele, os deuses sempre estiveram intimamente ligados à sua família, como aconteceu com sua avó Líbia(Λιβύη), filha de Épafo(Ἔπᾰφος), que se unira a Poseidon(Ποσειδῶν), gerando Belo(Βήλος), que veio a ser rei do Egito, e Agenor(Ἀγήνωρ), seu pai. E, em voz baixa, segredando as histórias da família, contou como sua própria irmã, Europa(Ευρώπη), também havia sido uma das preferidas de Zeus. Apaixonado por ela, Zeus transformou-se num magnífico touro branco, que se aproximou da moça e ajoelhou-se a seus pés. Europa acariciou o animal e sentou-se em seu dorso. E o touro fugiu, levando a moça consigo até a ilha de Creta, onde a amou junto a uma fonte. Desta união nasceram Minos(Μινως), Sarpédon(Σαρπηδών) e Radamantes(Ραδαμανθυς), que veio a ser o juiz dos mortos, no Hades(Άδης). Zeus presenteou Europa com três dádivas: Talos(Τάλως), um enorme robô de bronze que guardava as costas de Creta, não permitindo que nenhum estrangeiro se aproximasse; um cão que jamais deixava suas presas escaparem e uma lança certeira, que nunca errava o alvo. Depois casou Europa com Astériom(Ἀστερίων), o rei de Creta, que adotou seus filhos e, por fim, quando Europa morreu, concedeu-lhe todas as honras divinas e plantou no céu a constelação de Touro, em memória do belo animal em que se transformara, para obter o amor de Europa.
...
— Chega de pensar no passado! — exclamou Sêmele, para si mesma.
Vestiu uma túnica curta, juntou-a na cintura com um cinto de couro trabalhado, calçou as sandálias e saiu. Procurou novamente afastar dos pensamentos a sensação estranha que a acompanhava, desde que acordara.
— Que coisa esquisita! — resmungou — Sinto como se alguém estivesse me chamando.
E a lembrança do sonho voltou à sua mente. E novamente viu o menino que a chamava de mãe e que pedia uma chance de voltar ao mundo.
— Em meus sonhos — pensou ela — o menino era um deus...
Seus passos a conduziam sempre em frente, determinados, como se já soubessem para onde ir. E, de repente, ouviu vozes. Olhou pelas folhagens e viu um homem de cabelos e barbas grisalhas, que segurava algo sangrento nas mãos. Junto a ele, uma mulher muito parecida com a deusa Atena, parecia triste e desanimada. Já ia fugindo, quando uma voz vibrante a fez parar.
— Um momento!
Parou e voltou se, atraída por um desconhecido magnetismo.
— Aproxime-se, menina! — disse o homem, olhando-a fixamente. Ela se aproximou, fascinada pela poderosa energia que emanava do estranho casal.
— Como é seu nome? — perguntou o homem.
— Sêmele... — ela escutou sua voz ecoar estranha e irreal. — Meu nome é Sêmele.
...
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